Processos e investigações
PROCESSO Nº 01 — "RACHADINHA" / CASO QUEIROZ
ENCERRADO POR DECISÃO PROCESSUAL
Esquema de devolução de salários no gabinete da Alerj
2003–2018 (fatos) · 2018–2025 (tramitação)
A Operação Furna da Onça (Polícia Federal, 2018) investigava deputados estaduais do Rio em esquemas de corrupção. Um relatório do Coaf anexado à operação apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em 12 meses na conta de Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj — padrão compatível com "rachadinha" (devolução de parte do salário de assessores ao gabinete).
Em 2020, o Ministério Público do RJ denunciou Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pessoas por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em 2021, o STJ anulou as decisões da primeira instância por entender que o caso deveria ter sido julgado por desembargadores, não por juiz de primeira instância; o STF também considerou ilegal o compartilhamento de provas com o MP naquela fase. Em 2025, o STF negou o recurso do MP para reabrir o caso.
Importante: o encerramento foi processual (incompetência de juízo e vício na obtenção de provas), não um julgamento sobre o mérito das acusações.
PROCESSO Nº 02 — TCE-RJ / INSTITUTO IMP
INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO
Emenda de saúde em Mesquita parou em entidade considerada "inexistente"
2024–2026
Em 2024, Flávio destinou R$ 3,1 milhões em emenda parlamentar para atenção básica de saúde no município de Mesquita (Baixada Fluminense). Parte desse valor — R$ 666 mil, repassados em agosto de 2025 — foi para o Instituto de Medicina e Projeto (IMP).
Em junho de 2026, a Receita Federal classificou o IMP como "inexistente de fato". O TCE-RJ, em decisão de 2025, já havia apontado indícios de irregularidades na relação entre a prefeitura de Mesquita e a entidade: ausência de estudos técnicos prévios e indícios de conluio na licitação vencida pelo instituto. O Ministério Público Federal do Rio afirma haver "indícios robustos" de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete que Flávio manteve na Alerj.
Posição do senador: seu gabinete afirma que apenas indica recursos — a escolha de empresas e entidades contratadas é responsabilidade dos beneficiários da emenda.
PROCESSO Nº 03 — EMENDAS PARLAMENTARES 2026
REPORTAGEM PUBLICADA · SEM DECISÃO JUDICIAL
R$ 300 milhões em emendas desde 2020 — parte foi a empresa, ONG e instituto sob suspeita
Reportagem publicada em outubro de 2026
Desde 2020, Flávio reservou mais de R$ 300 milhões em emendas no Orçamento federal. Reportagem do Brasil de Fato, com dados originalmente levantados pelo UOL e Estadão, mostrou em outubro de 2026 que parte desses recursos chegou a:
— uma empresa investigada pela Polícia Federal por suspeita de formação de cartel;
— o Instituto IMP, a mesma entidade classificada como "inexistente de fato" pela Receita Federal (ver Processo nº 02);
— um instituto cuja liberação de recursos foi tratada, segundo mensagens citadas pela reportagem, por Robson Calixto ("Peixe"), miliciano condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.
Posição do senador: seu gabinete reitera que não participa da escolha de empresas ou entidades contratadas pelos beneficiários das emendas.
PROCESSO Nº 04 — CASO BANCO MASTER / VORCARO
INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO · CPMI EM ARTICULAÇÃO
R$ 61 milhões do Banco Master para financiar cinebiografia de Jair Bolsonaro
Transferências: fev–mai/2025 · Revelação pública: maio/2026
Em maio de 2026, vieram à público áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro e a Daniel Vorcaro — banqueiro do Banco Master, preso e investigado por fraudes financeiras bilionárias — nos quais o senador pede cerca de R$ 134 milhões para custear "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Documentos mostram que ao menos US$ 10,6 milhões (~R$ 61 milhões) foram efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para um fundo nos EUA ligado ao filme — recursos que, segundo investigações, teriam origem no esquema de fraudes do Banco Master.
Posição do senador: em vídeo nas redes sociais, Flávio confirmou ter pedido ajuda financeira a Vorcaro para o filme, mas negou qualquer irregularidade. A revelação aumentou a pressão no Congresso pela instalação de uma CPMI do Banco Master.
PROCESSO Nº 05 — PATRIMÔNIO / IMÓVEIS EM DINHEIRO VIVO
INDÍCIOS APONTADOS EM REPORTAGEM E PERÍCIA
51 imóveis da família Bolsonaro pagos, total ou parcialmente, em espécie
Compras: 1990–2021 · Apuração: 2019–2021
Levantamento jornalístico mapeou 107 negociações de imóveis da família Bolsonaro desde 1990; em 51 delas o pagamento foi feito, total ou parcialmente, em dinheiro vivo — somando R$ 25,6 milhões corrigidos pela inflação (R$ 13,5 milhões em valores nominais). Dezenove desses imóveis e salas comerciais pertencem a Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, totalizando R$ 8,5 milhões em valores da época.
O Coaf identificou 48 depósitos suspeitos, somando R$ 100 mil, feitos em um único mês de 2017 na conta de Flávio. A investigação sobre o gabinete dele na Alerj chegou a mapear 37 imóveis ligados ao senador, a familiares e à empresa Bolsontini Chocolates e Coffee. O Ministério Público do Rio alega que parte do dinheiro da "rachadinha" (Processo nº 01) foi lavado, entre outras formas, na compra de dois imóveis em Copacabana.
PROCESSO Nº 06 — INQUÉRITO STF (MORAES)
INQUÉRITO ABERTO
Moraes abre inquérito por suposta calúnia em post sobre Lula
Aberto em abril de 2026
Em abril de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu inquérito contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia a partir de um post do senador sobre o presidente Lula. Até a publicação deste dossiê, o desfecho do inquérito não havia sido divulgado.
PROCESSO Nº 07 — CONSELHO DE ÉTICA DO SENADO
MÚLTIPLAS REPRESENTAÇÕES, SEM CASSAÇÃO
Pelo menos três representações por quebra de decoro desde 2020
2020 · dez/2020 · set/2026
2020: Rede Sustentabilidade, PSOL e PT protocolam representação pedindo a cassação do mandato de Flávio, citando suposta ligação com milícias no Rio, apropriação de salários de assessores e lavagem de dinheiro.
Dezembro de 2020: o ex-deputado Alexandre Frota apresenta representação separada acusando Flávio de tentar interferir nas investigações da "rachadinha".
Setembro de 2026: o PT aciona novamente o Conselho de Ética, agora citando contradições no financiamento do filme "Dark Horse" (ver Processo nº 04).
Nenhuma das representações resultou, até a publicação deste dossiê, em cassação do mandato.
PROCESSO Nº 08 — TSE / ELEIÇÕES 2026
DUAS INVESTIGAÇÕES ABERTAS
Suspeita de financiamento estrangeiro e impulsionamento irregular na campanha presidencial
Setembro de 2026
A coligação de Lula pediu ao TSE que investigue possível financiamento estrangeiro à campanha presidencial de Flávio, apontando atuação da Rockbridge Network — organização republicana americana cofundada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Separadamente, o TSE abriu investigação contra Flávio, seu vice na chapa Alfredo Gaspar, e o deputado federal Mário Frias por suposto abuso de poder econômico e político, por meio de uma rede coordenada de perfis no Instagram usando recursos de coautoria ("collabs") para contornar a proibição de impulsionamento pago e disparo em massa de mensagens.
Isso é desinformação
Não: Flávio não tem mandado de prisão, e não há vínculo comprovado com o Comando Vermelho
Em 2026, a 16ª Vara Civil de Brasília determinou a remoção de posts que afirmavam, sem qualquer base, que o STF teria expedido mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro e que o associavam ao Comando Vermelho dentro do caso Banco Master. A Justiça considerou as alegações desprovidas de veracidade, com potencial de violar a honra e a imagem do senador, e determinou a remoção do conteúdo nas redes.
É exatamente por casos como esse que este dossiê cita apenas decisões judiciais e reportagens verificáveis — e por isso vale desconfiar de qualquer print ou corrente sem fonte, de qualquer lado do espectro político.